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Na lata!

5 de novembro de 2009
Adriana Cortez

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Enlatados, você é a favor ou contra? Pesquisas realizadas nos últimos dez anos afirmam que os consumidores preferem papelão, vidro ou plástico, deixando a lata na última posição. Esse preconceito existe pois as pessoas acreditam que a lata não conserva as qualidades nutritivas dos produtos e não é confiável, já que amassada estragaria os alimentos e quando aberta o alimento tem de ser retirado imediatamente para evitar contaminação pelo metal.

A história dos enlatados industriais começa em 1795 quando o cozinheiro e pâtissiernicolas francês Nicolas Appert desenvolveu uma técnica que conservava os alimentos por mais tempo. Para esse processo era necessário aquecer os alimentos em uma temperatura de 100ºC em vidros fechados, assim o processo natural de decomposição é interrompido.

Antes do surgimento desse processo, os alimentos eram conservados com sal ou açúcar, por meio de defumação e cozimento seguido de imersão na gordura. Contudo esse método alterava o aroma, a cor, o sabor e a textura. A descoberta de Nicolas foi tão importante que Napoleão Bonaparte concedeu-lhe o prêmio de 12 mil francos, para a época isso era exorbitante.

livroPara divulgar o trabalho do francês, foi publicado um livro chamado “A arte de conservar por vários anos todas as substâncias animais e vegetais”, distribuído por toda a França. O processo passou a ser chamado de appertização e o próximo passo do inventor foi colocar frutas, sopas e laticínios em vidros mais resistentes.

A primeira empresa a adotar a appertização foi a indústria de sardinhas de Nantes em 1810. A empresa foi reconhecida no mesmo ano no Almanach des Gourmands, de Grimond de La Reunère, pela qualidade de preservação do peixe. O ano de 1810 foi importante também para o francês Pierre Duran, radicado na Inglaterra, que obteve a patente para produzir alimentos em conservas através da appertização.A diferença é que Pierre considerava o vidro frágil e pesado, por isso escolheu o ferro estranhado.

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Esse foi o primeiro passo para o surgimento da embalagem conhecida hoje. Depois do ferro estanhado, conhecido como folha de flandres, veio o alumínio que proporcionava moldagem em várias formas.

No ano seguinte a marinha britânica já incorporara em suas viagens diversas latas de peixes, carnes, legumes e frutas. Consequentemente os índices de escorbuto, doença causada pela carência de vitamina C, diminuíram relativamente. Na Europa instalou-se a euforia pelos alimentos appertizados, depois espalhou-se pela Austrália e América.

sopa campbellEm 1869 surgiu nos Estados Unidos a Campbell Company, que utilizava estrelas da pop art para fazer propaganda de suas sopas. Com o passar do tempo as indústrias de enlatados passaram a tomar cuidados com seus produtos. O primeiro passo foi instalar-se nas regiões de origem de seus produtos, assim poderiam realizar a appertização logo após a pesca, abate ou colheita, para não alterar de modo significativo os nutrientes dos alimentos.  

Recentemente surgiu o aço sem estranho ou cromado, conhecido como TFS (tin free steel), um material que reduz o custo da embalagem e deixa o revestimento interno mais resistente e seguro. Em outubro deste ano aconteceu em São Paulo o 10º Congresso Internacional de Nutrição, Longevidade e Qualidade de Vida e a embalagem de aço e sua relação com a alimentação saudável foram um dos temas em questão.

Os pesquisadores franceses Fabrice Peltier, Rachelle Lemoine e Éric Delon, lançaram olivro a lata livro “A Lata: Solução de Futuro” da editora Senac e além de testemunharem a rejeição da lata, afirmam que  muitas vezes o alimento da lata se torna único. Eles explicam que alguns alimentos chegam à feira com 40% menos de vitamina C devido ao tempo de estocagem, isso ocorre com o aspargo por exemplo. No caso dos espinafres, eles perdem 30% da vitamina e as vagens 20%; se são appertizados logo que colhidos o teor de vitamina é superior ao que está fresco ou aquele que foi conservado de outra maneira, como o congelamento.

É muito mais saudável ingerir alimentos frescos. Tornamos-nos consumistas de enlatados devido principalmente a praticidade e a falta de tempo, consequências da vida moderna. Mas mesmo depois de dois séculos do surgimento da lata, ela continua a ser tecnologia de ponta e estará presente em nossas vidas por muitos outros séculos.

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