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Patrimônio gastronômico nacional

21 de novembro de 2009
Bianka Saccoman

Os hábitos alimentares de uma região são considerados um espelho e uma parte integrante da própria imagem da sociedade. As permanências de determinados hábitos alimentares e práticas gastronômicas cria um panorama cultural, que delineia as cozinhas regionais. Através do alimento, podemos identificar uma sociedade, uma cultura, uma classe social, ou uma época.

No Brasil o órgão responsável pela preservação do patrimônio cultural é o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), vinculado ao Ministério da Cultura. Poucos sabem, mas este órgão também protege alimentos – que são registrados como Patrimônio Imaterial. O acarajé, a moqueca capixaba e os queijos artesanais de Minas já foram registrados como patrimônios imateriais, ou seja,  eles não podem mais ser descaracterizados pela evolução natural dos processos de produção e venda. Também são exemplos de Patrimônios Imateriais: o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Frevo, a Roda de Capoeira, as Matrizes do Samba no Rio de Janeiro entre outros.

A UNESCO considera como sendo manifestações de Patrimônio Cultural Imaterial as tradições, o folclore, os saberes, as técnicas, as línguas, as festas e diversos outros aspectos e manifestações, transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo.

O Patrimônio Cultural Imaterial é passado de geração para geração e recriado pelas comunidades em função de seu ambiente e de sua história. Essa “riqueza simbólica” gera um sentimento de pertencimento e de respeito à diversidade cultural brasileira.

Em dezembro de 2002, o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras foi o primeiro bem cultural registrado como Patrimônio Imaterial no Livro de Registro dos Saberes (Livro onde são inscritos os conhecimentos enraizados no cotidiano das comunidades). A solicitação do registro foi feita pela Associação das Paneleiras de Goiabeiras e pela Secretaria Municipal de Cultura de Vitória, Espírito Santo.

A fabricação artesanal de panelas de barro em Goiabeiras (também conhecido como Goiabeiras Velha), bairro de Vitória, é uma atividade predominantemente feminina, sendo considerada uma prática artesanal, repassada de mãe para filha, e constitui o sustento de centenas de famílias.

As panelas de Goiabeiras são utensílios indispensáveis no preparo de peixes e mariscos, especialmente para preparar e servir a Moqueca Capixaba, uma referência obrigatória da culinária do Espírito Santo, assim como a torta capixaba que também é preparada nessas panelas.

 

No ano de 2004, o Ofício das Baianas de Acarajé, em Salvador, Bahia entrou no Livro dos Saberes. O Ofício consiste em uma prática tradicional de produção e venda em tabuleiro das chamadas comidas de baiana ou comidas de azeite, em que se destaca o acarajé –  um bolinho de feijão fradinho, frito no azeite de dendê. O preparo do acarajé remonta ao período colonial. De origem sagrada, associada ao culto de divindades do candomblé, esta comida popularizou-se e passou a marcar toda a sociedade baiana como um valor alimentar integrado à culinária regional.

O acarajé faz parte de um conjunto cultural bastante amplo. Dessa forma, são considerados elementos essenciais do Ofício das Baianas do Acarajé os rituais envolvidos na produção do acarajé, na arrumação do tabuleiro, na preparação do lugar onde as baianas se instalam e uso de trajes próprios.

 

O modo artesanal de se fazer Queijo de Minas, também é um Patrimônio Imaterial. O registro foi concedido a três regiões de Minas Gerais: Serro, Serra da Canastra e Serra do Salitre (Alto Paraíba). Embora essas regiões conservem aspectos comuns na produção do Queijo, como o uso do leite cru e a adição de fermento láctico natural recolhido do soro do próprio queijo, eles possuem características particulares, conferidas por detalhes relativos ao modo de fazer, associadas às condições climáticas, de solo e vegetação de cada região.

 

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One comment

  1. É extremamente importante contribuir com a permanência da memória cultural de uma povo.
    E assim tem feito a Baiana de Acarajé Claudia no
    Rio de Janeiro.



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