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Adeus ano velho!

25 de novembro de 2009
Bianka Saccoman

Estourar o champanhe, pular as sete ondas, usar roupas brancas, carregar folhas de louro na carteira…

Falta pouco mais de um mês para a chegada do próximo ano. E é exatamente no momento da virada que praticamente todo brasileiro torna-se supersticioso. Grande parte das superstições encontra-se presente na mesa, a reunião de bons pensamentos e desejos de prosperidade também é introduzida no cardápio da virada

A seleção de alimentos é abundante, cada um possui seu significado particular. O Brasil, por ser um país com uma imensa variedade de culturas, acabou absorvendo muitas delas e incorporando aspectos gastronômicos de outros países em seu cardápio de Ano Novo.

Arroz simboliza a riqueza, a abundância e a fertilidade. Acredita-se que os grãos dobram de tamanho depois de cozidos, o que justificaria sua associação com a fartura. Em países como a Coréia, Japão e Líbano ele é consumido para obter sorte. No Líbano além do arroz, é costume ingerir apenas alimentos brancos na noite da passagem.  No Japão, o arroz entra na receita do moti (bolinhos em versões ornamentadas que são ofertadas aos antepassados em altares) que são servidos como iguaria típica desta época para garantir sorte e proteção para o ano inteiro.

Nas famílias italianas, a lentilha é presença garantida. Ela é sinal de boa sorte e prosperidade financeira. No Brasil e no Chile, algumas pessoas acreditam que a lentilha deve ser a primeira coisa a ser consumida na ceia, logo após a meia-noite, para que não falte dinheiro durante o ano que está chegando, muitas pessoas têm até o costuma de comer a receita em cima de mesas ou cadeiras para reforçar mais ainda o desejo de “subir na vida” no ano que virá.

 

O champanhe é a bebida que não pode faltar na comemoração. As primeiras celebrações com a bebida aconteceram no palácio de Versalhes, na França. Napoleão teria dito que ele era “merecido na vitória e necessário na derrota”. Beber o conteúdo da taça e jogar o final atrás do ombro direito representa deixar o ano que se passou para trás, e aquele que acidentalmente se molhar, terá sorte o ano inteiro.

Quanto às carnes, não é costume ingerir aves (ao contrário da farta ceia de Natal, que conta com diversos tipos delas), para os supersticiosos, as aves são animais que ciscam para trás, o que indica retrocesso e atraso na vida. O porco é um animal que está sempre andando e fuçando para frente e, por isso, é visto como um símbolo de prosperidade.
Além disso, seu alto teor de gordura remete à fartura e à riqueza. Confira a receita de patê feito com carne de porco, uma sugestão rápida e prática que pode ser oferecido como entrada na ceia.

As características árabes foram trazidas pelos imigrantes e na refeição de Ano Novo são expressas nas nozes, avelãs, castanhas e tâmaras, ingeridas para garantir fartura.

A uva é a fruta mais conhecida por trazer boa sorte no Ano Novo. Cada pessoa deve comer 12 uvas, uma para cada mês do ano, e para cada uva deve ser feito um pedido especial. O vinho, por ser feito de uvas, já carregam uma significação positiva e otimista. Eles são consumidos, acompanhando os pratos.

Merengues, suspiros, mel de abelhas e cerejas “adoçam” o ano que está por vir.

Além da passagem do ano, em outras datas também são consumidos alimentos específicos ligados à superstição.  Os portugueses não abrem mão de sua fatia de bolo de Reis no dia 6 de janeiro. A receita leva frutas cristalizadas, cereja, nozes, figo, pêssego e um ingrediente especial: um brinde. Coloca-se na massa do bolo ainda crua uma prenda (geralmente uma aliança, sinal de sorte e fortuna) e uma fava. O afortunado que for contemplado em sua porção com a fava é obrigado a presentear alguém com um bolo no ano seguinte, enquanto quem pega a fatia com a prenda, garante sorte durante todo o ano.

Ou então, a prática italiana (mas bastante realizada no Brasil) de comer o nhoque da fartura dia 29, acompanhado do ritual de colocar dinheiro em baixo do prato e comer os setes primeiros pedaçinhos em pé. A história conta que, certo dia 29 na Itália, um andarilho bateu na porta de uma casa na busca de um prato de comida. A família era grande e tinha pouca comida, mas apesar disso eles não se importaram em dividir o seu nhoque com o andarilho, São Genaro. Ao repartir, a família pôde ingerir sete pedaços cada um. Após saborear o nhoque, São Genaro, satisfeito, agradeceu e partiu. Quando foram recolher os pratos descobriram que em baixo de cada um havia notas de dinheiro.

 

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