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Bem vindo novamente!

2 de fevereiro de 2010
Adriana Cortez

Leitura Gastronômica está de volta com publicações as terças, quintas e algumas nos finais de semana.

Paixão Universal

Seu nome original é Theobroma, possui origem grega e significa alimento dos deuses. Você ainda não sabe de quem estou falando? O nome foi criado pelo botânico sueco Carlos Linnaeus em meados do século 18 e hoje é conhecido como chocolate.

Mas o chocolate é bem mais antigo que o botânico, ele nasceu há muitos séculos atrás, com os maias e os astecas na América Central. Os astecas acreditavam que o deus Quetzalcoatl personificava a sabedoria e o conhecimento e deu ao povo do México muitas coisas, entre elas, a semente de cacau. Para festejar esse presente vindo dos céus, os astecas realizam rituais cruéis de sacrifícios humanos.

Enquanto isso os maias, que também conheciam o chocolate, estabeleceram as primeiras plantações de cacau em Yucatan e na Guatemala. Conhecidos como grandes comerciantes, os mais aumentaram muito sua riqueza com a colheita do cacau.

Para esses povos o cacau não era importante somente para adquirir a bebida, chamada tchocolath, tomada fria e com bastante espuma, era usado também como moeda. Na época, um coelho era comprado com oito sementes de cacau, já um escravo era vendido em troca de cem sementes.

Durante esse período, o cacau e o chocolate eram usados em rituais, banquetes e comércio na América Central, mas com o passar dos séculos, em 30 de julho de 1502, Cristóvão Colombo achando que chegava à Índia desembarcava na verdade na Ilha de Guaiano, na América Central.

Os habitantes locais, curiosos sobre os visitantes abordaram a caravela de Colombo. O chefe asteca subiu a bordo e ofereceu tecidos e a sementes de cacau para o navegador, explicando que essas sementes eram as moedas do país que com elas também podia preparar uma bebida muito conhecida entre eles. Colombo e sua tripulação provaram a semente e tomaram o chocolate, dias depois voltaram para a Europa sem dar muita atenção e sem saber que eles tinham sido os primeiros europeus a provar que seria séculos depois apreciado pelo mundo inteiro.

Estudos sobre o chocolate provaram que os astecas estavam certos em acreditar nos segredos do cacau, o chocolate que contém mais da semente – o meio amargo – faz bem a saúde. Um estudo realizado pela Universidade Hospital Colônia, na Alemanha revela que o consumo rotineiro reduz os níveis de pressão arterial, protegendo o coração. A pesquisa avaliou pacientes entre 56 e 73 anos, pré-hipertensos ou no estágio inicial do problema; no período de 18 semanas parte deles consumiu diariamente um único pedaço de uma barrinha, os demais ingeriram o chocolate branco.

O único pedacinho da barrinha de meio amargo, correspondente a 6,3 gramas derrubaram a pressão que o sangue exerce sobre os vasos. Depois dessa descoberta houve uma queda de 86% para 68% nos casos de infarto e derrame conseqüências da hipertensão, doença que atinge 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. No estudo alemão, provou-se ainda que tudo isso pode se dar sem alterações no peso e nas taxas de açúcar e gordura na circulação.

Além da saúde, o chocolate faz sucesso também nas telas do cinema. O ator Johnny Deep estrela dois filme sobre a deliciosa guloseima. No regravação do filme a “Fantástica Fábrica de Chocolate” um grupo de crianças vence o concurso das barras de chocolate Wonka e tem acesso à misteriosa, mágica e fantástica fábrica de chocolate, onde segredos da fabricação do produto estavam trancafiados a sete chaves.

Outro sucesso é a homenagem do diretor sueco ao doce, o filme “Chocolat”, passado em um vilarejo francês nos anos 50 é um símbolo para o cineasta discutir valores como tradição, humanismo, moral e tolerância. Nele Johnny é Roux, um musico andarilho que desembarca na aldeia e se envolve com Vianne Rocher, interpretada por Juliette Binoche, uma forasteira que, acompanhada da filha de seis anos, chega ao conservador vilarejo no interior da França.  Com “ousadia” abre uma loja de chocolates, ao lado da igreja, em plena Quaresma. Com um ar de feiticeira, encanta alguns moradores com suas receitas, algumas bastante exóticas, como a que mistura chocolate e pimenta. Outros habitantes, principalmente o prefeito (Alfred Molina), não aceitam sua presença na vila, pois ela estaria subvertendo a ordem e a moral no local.

Hoje o chocolate é vendido em qualquer parte do mundo, atingindo seu pico na época da Páscoa e depois no Natal, com os panetones. Fora dessas datas é encontrado em bolos, bombons, tortas, bebidas e onde você menos imaginar.