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Amor e ódio

4 de fevereiro de 2010
Adriana Cortez

Antigamente o coentro era cultivado no Egito Antigo para fins medicinais e culinários. As sementes eram usadas como especiarias e hoje ele é muito utilizado em Portugal, na América Latina e no Sudeste Asiático.

Originário da família Umbelliferae e parente da salsinha, o coentro, pode ser encontrado pelo nome de salsinha chinesa ou salsinha árabe. Já o nome coentro é derivado do grego koris, que significa percevejo, devido as folhas e as sementes quando verdes tem o cheiro parecido com os lençóis infestados pelo inseto. As sementes quando amadurecidas perdem esse odor, mas as folhas infelizmente não.

As sementes são conhecidas como especiarias curativas. Na Europa elas são chamadas de “planta anti-diabética”, na Índia elas são utilizadas por suas propriedades antiinflamatórias e nos EUA existem estudos que acreditam na capacidade de reduzir o colesterol.

Essas são algumas das muitas funções do coentro, que funciona também como estimulante para o estômago e intestino, fazendo com que seja consumido antes das refeições como aperitivo. Quem acha que as utilidades do coentro acabaram, engana-se.

Na Ásia, as ervas e o óleo da semente possuem habilidades em curar hemorróidas, dores de cabeça, inchaços, conjuntivites, reumatismos, úlceras na boca e serem usadas em compressas. Os chineses garantem ainda conseguir curar vários tipos de problemas de bexiga, halitose e ainda complicações gástrico-digestivas com a ajuda do coentro.

O óleo das sementes pode ser utilizado em perfumes, licores e até mesmo no gim. Outro nome menos conhecido do coentro é “milho tonto”, pois quando uma pessoa inala o aroma de uma semente recém esmagada, isto pode causar tontura. O coentro também é uma excelente fonte de fibras dietéticas, ferro, magnésio e manganês.

Mesmo com tantas qualidades muitas pessoas odeiam o coentro. Por isso o neurocientista Charles J. Wysocki, do Monell Chemical Senses Center iniciou uma pesquisa sobre a erva.

Após muito estudo na genética de aromas e de que forma reagimos a eles, descobriu que o que faz as pessoas rejeitarem o coentro é o cheiro, e não o sabor.

A seguir uma entrevista que Charles J. Wysocki deu ao Caderno Paladar, do jornal O Estado de São Paulo.

Paladar: Por que decidiu estudar o coentro?

Charles Wysocki: Foi há alguns anos, durante uma palestra sobre cegueira olfativa. Quase todas as pessoas têm uma falha na percepção de aromas. Algumas sentem cheiros que outras não conseguem. Após a palestra, cronistas de gastronomia e chefs me perguntaram como explicar o fenômeno do amor e ódio que cerca o coentro. Nunca tinha ouvido falar nisso.

Paladar: Como começou a pesquisa?

Charles Wysocki: Fiz uma demonstração. Coloquei uma porção de folhas de coentro picadas em um frasco e cobri o exterior, para que ninguém identificasse o que havia dentro. Pedi para 200 pessoas cheirarem. Depois, perguntei quem não tinha gostado. Cerca de metade levantou a mão.

Paladar: A que conclusão o senhor chegou?

Charles Wysocki: Serviu como demonstrativo. Comecei a pesquisar o assunto com gêmeos idênticos (univitelinos) e não idênticos (fraternos). Fiz o mesmo teste. Pedi para ambos cheirarem o frasco com coentro – os univitelinos têm quase a mesma carga genética; nos fraternos há uma semelhança de 50%. Entre os idênticos, houve a mesma resposta em 80% dos casos. Ou seja, quando um gêmeo idêntico dizia gostar de coentro, o outro respondia da mesma forma. Já entre os não-idênticos a resposta só coincidiu em 42% dos casos. Esse teste indica que existe algo além de simplesmente gostar ou não gostar de coentro, algo determinado por fator genético.

Paladar: Outras conclusões surgiram daí?

Charles Wysocki: Sabemos que o que incomoda quem não gosta de coentro é o cheiro, e não o sabor. Se uma pessoa que odeia coentro tapar o nariz enquanto mastiga algumas folhas, ela não sentirá o sabor da erva. Sem o cheiro, é quase como se a pessoa estivesse mastigando algo como grama. Assim que destapam o nariz, no entanto, descobrem que mastigaram coentro e isso, para quem o detesta, é uma experiência horrorosa.

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